AOS GAZEADORES DE PLANTÃO - Artigo publicado na Coluna Transcender, do Jornal Missioneiro, por Solange da Cruz Battirola em 29-03-2008
Texto: Aos Gazeadores de Plantão
Cabular aulas, fugir da escola, pular o muro e cair na rua, ir embora, agarrar o mundão perdido lá fora, tudo isso tem um “preço”, por assim dizer, certo? Pois é, estudar muito, estudar sempre – não é essa idéia afinal? Ser bom aluno, ter bons resultados, notas satisfatórias, vitórias... Paradoxalmente, no entanto, uma coisa e outra forma ou não: cidadãos preparados para que realmente desejam na vida, o que esperam na vida, para viverem bem ou serem excluídos do meio sócio-escolar, além dos que acabam literalmente na rua da amargura e, certamente vão padecer, se sobreviverem às manobras arruaceiras.
Se, já estudando muito e gostosamente bem, o aluno enquanto ser pensante ainda vai enfrentar crises emergentes do mercado profissional, o desemprego dessa difícil era globalizada e exigente de recursos humanos altamente qualificados – porque o sistema é bruto – tudo isso para sobreviver com braveza e determinação em busca do difícil sucesso pessoal (já que milagres não acontecem por acaso) e se fugir da escola, então, cara pálida? E se cabular aulas? Aí o bicho pega mesmo, o bicho da repetência, o monstro da reprovação, o devorador da exclusão... todas as alternativas, pois estaria fugindo da oportunidade – única – de se prover de recursos escolares qualificados que o ajudariam a preparar seu caminho, seu destino, dentro de escalas de valores que gradativamente, fariam uma escada para sua ascensão na rota do mundo contemporâneo.Só os bons no funil, fazem história! Quase sempre.
Quem foge da escola faz papel de bobo, foge da primeiríssima e imediata – para alguns, repito: – Única chance que tem para evoluir, conquistar, alicerçarem rumos, informarem-se, formarem-se.
Não existe escola boa ou escola ruim. Existe aluno consciente, interessado em muito bem fazer a sua parte, seus deveres pessoais, tirar bom proveito do espaço escolar, dos mestres com objetivos próprios, para a partir disso fazer um pé de meia (conteúdo, cultura, referências vivências, etc.) para a caminhada em busca do conhecimento primordial, do saber atualizado, da habilitação profissional (e habilidades) essencial para sua evolução. Não existe professor chato ou professor legal. Existe um profissional de ensino como qualquer outro que labuta com métodos, estilos, técnicas, inspirações e tudo mais, existe o professor e os alunos, tudo num contexto, num entorno. O mestre, a bem dizer, está ali feito um profissional da educação, funcionário público, recebendo salários apartir de impostos que todos muito bem pagam para retornos estatais, para estender-lhe generosamente a mão e dizer: (não necessariamente com essas palavras) “ -Venha, vamos para o futuro? Vamos comigo? Vamos aprender? ...” traçou a imagem? E você vai ou não vai, sai da inércia e avança, cresce ou fica sentado na beira do caminho, parado que nem poste por ai.
Assim penando, falando sério, fugir da escola é dar literalmente com burros nágua, é fria mano, sai dessa, é dar chute na sombra; negar um estágio importante, repetir pra si mesmo, fugir de uma possibilidade primária e necessária, negar-se a ser cidadão consciente. Qual é a sua? Já pensou? Então é isso: fugir da escola é coisa de cabeça de vento, de quem não ta com nada.
Escola – Família – Sociedade, referenciais de meio e de percurso, tudo tem a ver com a inclusão social de um jovem mesmo que rebelde com causa, transgressor por estilo, o que é próprio da idade de adolescer, de ser jovem, claro, mas, se ele pula fora, o que fazer? Tá sacando?
Um juiz andou expedindo Mandado de prisão contra pais e respectivos filhos-alunos rueiros, cabuladores. Sim, os pais são mesmo legalmente responsáveis na forma da lei e judicialmente puníveis por isso. Intimados sob vara, têm, os pais, finalmente de tomarem atitudes imediatas / radicais (...) em prol de seu filho (e seu direito de estudar quer queira ou não), quando então são acompanhadas de sanções que devem imputar aos seus filhos. Quem ama pune mesmo. Isso histórico e sagrado, no recesso do lar o pai impõe ao aluno-filho a obrigação de estudar. Por essas e outras, fugir da escola não tá com nada. São três os lugares sagrados na vida da gente. O lar (nossa casa adorável), a igreja (qualquer que seja, Deus está em todo lugar) e a escola. Sim, a escola é um espaço sagrado de produção de conhecimento, de trocas, de somas, de buscas, letramentos, de pesquisas, de perguntas, respostas e constantes aprendizagens.
Sabedoria, Filosofia, áreas humanas e exatas, técnicas, manejos, oficinas, trabalhos, releituras... Esse é o precioso espaço escolar. Fugir dele é atirar no próprio pé. Quem quer se aventurar nesse risco? Ta por fora. Aliás, tem país realmente avançado aí, há Países de Primeiro Mundo, que treinam autoridades especiais para exatamente caçarem os gazeteiros, os cabuladores, levando-os então, sob guia de uma autoridade policial, ao juiz de plantão. Os alunos “espertos” passam a pensar a escola com outra ótica, sofrem duras penas alternativas de obrigações legais-comunitárias, desde obrigatórias aulas de reforço (a mais do que normalmente teriam), a tratamentos psicológicos, recebendo também assistência social, tarefas que têm que cumprir na marra por assim dizer. Que beleza, hein? Refinados, conscientes de direitos (e deveres) de propósitos e de regras de convivência, passam a pensar a escola com olhares maduros, adultos, sérios. O céu pode ser lá? Sim, cara pálida, fugir da escola é se fazer alvo fácil dos inescrupulosos, mas-intencionados, os pegos pra patos no rocambole dos riscos. Ta entendido? Sem essa. Fugir da escola é pra quem não sabe onde tem a cabeça, perdeu o controle, virou um “nóia” total. Ta por fora. Fugir da escola pra depois topar a braveza de puxar carrocinha, catar latinha e pedir esmola? Já era. Fui. De que lado você está? Já pra sala!
Escolhi este texto, utilizei gírias juvenis, para torná-lo mais agradável aos jovens, mas o importante é que estamos no final do mês de março e precisamos conscientizar nossos alunos da importância da Escola no decorrer de todo o ano letivo. Boa leitura! Até a próxima semana!


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