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ATITUDES: a atitude justa diante do sucesso - por SOLANGE DA CRUZ BATTIROLA, NA COLUNA TRANSCENDER DO JORNAL MISSIONEIRO EM 06.09.2008

ATITUDES: a atitude justa diante do sucesso

O sucesso que buscamos constantemente nos variados campos, quando chega, exige de nossa parte uma atitude justa, para que possa perdurar e nos trazer mais benefícios do que malefícios.

Em todo sucesso está embutido o perigo de despertar a pretensão, a vaidade e a arrogância. Por isso, o primeiro componente de uma atitude justa é perceber esse fato e ter a firme intenção de não deixar corromper por esses terríveis inimigos. É necessário portanto, mantermos sempre em nosso interior, uma humildade saudável.
Além disso, o sucesso tende a nos fazer acreditar que bens trazidos por ele são de nossa exclusiva propriedade, quando na verdade, todo bem precisa ser compartilhado, pois precisa circular, precisa fluir. Se agirmos com generosidade, o sucesso tende a ser contínuo.
Para terminar esse breve exame de uma atitude justa diante do sucesso, é indispensável assinalarmos que ele nos faz crer que estará sempre conosco. Acreditar nisso, com certeza, nos levará ao insucesso, pois estaremos caminhando em direção às dificuldades.
É necessário, pois lembrarmos de que tudo está em constante mutação e que devemos nos manter vigilantes e prudentes, para que os fatores que levam ao fracasso e a decadência possam ser detectados e corrigidos a tempo. E isso depende de nós mesmos.
A continuidade do sucesso depende de nossa capacidade de olharmos a situação de cima.

A CERCA - por SOLANGE DA CRUZ BATTIROLA, NA COLUNA TRANSCENDER DO JORNAL MISSIONEIRO EM 21.06.2008

A CERCA
Era uma vez um menino de temperamento muito forte. Seu pai deu-lhe uma saco de pregos, dizendo-lhe que, cada vez que ele ficasse furioso, cravasse um prego na cerca dos fundos da casa.
No primeiro dia, o garoto pregou trinta e cinco pregos. Mas, gradualmente, ele foi-se acalmando. Descobriu que era mais fácil “dominar” seu temperamento do que fincar os pregos na cerca.
Finalmente chegou o dia em que o garoto não se enfureceu nenhuma vez. Contou ao seu pai o que havia sucedido e ele sugeriu-lhe que, de então em diante, em cada dia que conseguisse controlar seu temperamento, retirasse um dos trinta e cinco pregos.
Passou-se o tempo, e o garoto finalmente pode dizer ao pai que tinha retirado todos os pregos.
O pai tomou o filho pela mão e levou-o até a cerca, dizendo-lhe:
- Você fez muito bem, meu filho, mas a cerca nunca mais será a mesma. Quando você diz coisas por estar furioso, elas deixam uma cicatriz, assim como as marcas dos pregos. Se você fincar e retirar uma faca em um homem não importa quantas vezes você diga: “desculpe!”. A ferida permanecerá. Uma ferida verbal é tão maligna quanto uma ferida física. Amigos são uma jóia muito rara. Eles fazem você sorrir e estimulam-no ao sucesso. Emprestem um ouvido amigo, repartem uma palavra de elogio e abrem seus corações. Mostre a seus amigos o quanto você se importa com eles.

REFLITA COM CARINHO SOBRE A MENSAGEM, RETIRADA DE ALGUMAS LEITURAS DA INTERNET E SINTA UM ABRAÇO AMIGO. ATÉ!

AVANCE SEMPRE - por SOLANGE DA CRUZ BATTIROLA, NA COLUNA TRANSCENDER DO JORNAL MISSIONEIRO EM 31.05.2008

AVANCE SEMPRE

Na vida as coisas, as vezes, andam muito devagar. Mas é importante não parar. Mesmo um pequeno avanço na direção certa já é um progresso, e qualquer um pode fazer um pequeno progresso.

Se você não conseguir fazer uma coisa grandiosa hoje, faça alguma coisa pequena. Pequenos riachos acabam converetendo-se em grandes rios. Continue andando e fazendo.

O que parecia fora de alcance esta manhã vai parecer um pouco mais próximo amanhã ao anoitecer se você continuar movendo-se para frente.

A cada momento intenso e apaixonado que você dedica ao seu objetivo, um pouquinho mais você se aproxima dele. Se você para completamente é muito mais difícil comecar tudo de novo. Então continue andando e fazendo. Não disperdice a base que voc6e já construiu. Existe alguma coisa que você pode fazer agora mesmo, hoje, neste exato instante.

Pode não ser muito mas vai mantê-lo no jogo. Vá rápido quando puder. Vá de devagar quando for obrigado. Mas seja lá, o que for, continue. Oimportante é não parar.

O RIO - por SOLANGE DA CRUZ BATTIROLA, NA COLUNA TRANSCENDER DO JORNAL MISSIONEIRO - 20-09-2008

O RIO
Eu sou o rio. Sou a água, o princípio e a origem da vida.
Olhe bem pra mim. Veja como eu caminho. É a correnteza que me dá força vital que eu libero durante todo o meu caminhar. Nisto se manifesta toda a minha vontade de viver. Lanço-me para além das fronteiras e vou abrindo o meu caminho. Afinal, o meu leito ainda não está feito. Eu é que vou abrindo estradas entre rochas, montanhas e vales e vou construindo a minha própria vida.
Eu continuo caminhando porque o caminho tornou-se a minha força, a minha liberdade. Por fim, em algum lugar do caminho recebi um nome: RIO. E agora sou um rio que se abre para a vida, o rio que possui o sabor de suas águas e porque sou um rio alegre, procuro fecundar tudo ao longo das minhas margens, deixando traços de vida por onde passo, afinal, a minha vida não me pertence, ela deve ser doada, deve ser compartilhada.
Eu fui feito para o mar, fui feito para o novo, para o maior, mas acima de tudo fui feito para a partilha e é isto que me impulsiona. Não sendo assim eu seria apenas uma poça dágua, uma água em repouso, parada, mas nós sabemos que a água parada acaba apodrecendo e não vai servir para mais nada.
Por falar nisso, o que é que você espera da vida? ...
Na medida em que eu caminho, tenho que ir renovando as minhas forças. Apenas a minha vontade de caminhar não me garante o êxito da minha chegada.
É que, nesta minha dança frenética por entre pedras e barrancos as vezes eu sinto que minhas forças diminuem, imerso nos mil problemas das correntezas que me empurram para todos os lados, eu fico sem saber por onde caminhar, mas, eu não posso parar diante das dificuldades, e então devo lançar-me uma, duas, infinitas vezes por sobre as pedras para abrir uma passagem por onde caminho.
Você já notou que raramente ando em linha reta? É que contornar montanhas e desviar-me de rochas não é apenas uma questão de gosto estético ou geográfico. Na maioria das vezes é minha única maneira de prosseguir.
É este o segredo da vida, a vontade de viver, a ânsia pela liberdade. E é isso que me mantém a cada dia mais forte, mais vivo.
Ao longo do meu caminho eu vou recebendo outras águas, pequenas, franzinas algumas, outras mais fortes, mas não importa o tamanho delas. Somadas, fazem de mim um rio, aumentam a minha força, ajudam-me a desviar o desconhecido. Sei que devo ainda crescer, andar prá diante, compartilhar. Mas eu sei também que estou andando sobre um caminho meu, em direção ao mar, a minha felicidade.
Gosto de conquistar aquilo que disputo, mas por isso às vezes preciso canalizar as minhas águas por entre margens que me ajudem a chegar ao mar. Outras vezes eu tenho que refreá-las e esperar o momento e condições adequadas para libertá-las. Eu tenho consciência de que deixando-as correr livremente, eu posso ocasionar morte e destruição ao invés de vida. Gostaria... gostaria muito que minhas águas pudessem correr livres e desimpedidas, mas, eu iria desperdiçá-las. Eu perderia forças e correria o risco de não chegar ao mar.
Veja, as minhas águas continuam a jorrar gota a gota, levando frescor e alívio àqueles que estão cansados e sedentos. Sinto-me feliz em poder fazer isto. Sinto-me contente da vida que trago dentro de mim. Às vezes, encontro terrenos áridos, secos onde minhas águas desaparecem como que por encanto, e então, o meu orgulho me faz pensar que estou desperdiçando vida, que estou sendo sugado, mas aí eu olho para as minhas margens e percebo com alegria que não há vida sendo desperdiçada. Ao contrário, é vida sendo compartilhada. Com o que eu dou, eu crio possibilidades de vida para muitos outros e o que é mais incrível, é que justamente quando eu cedo minhas águas para molhar as lavouras, para gerar vida e fazer crescer as plantas, a natureza me agradece e me retribui com águas que vem do alto, revigorando-me, preenchendo-me de vida. É um mistério... Um mistério que me faz muito feliz.
Eu continuo caminhando para o mar e vou descobrindo que em cada curva, em cada relanço, em cada queda eu posso ser útil de alguma forma. Vejo com alegria que cada amanhecer e cada entardecer é um novo dia, tão diferente de ontem quanto será de amanhã, mas esse novo dia me oferecerá inúmeras oportunidades de partilhar a vida que eu carrego. Meu objetivo é lançar-me no mar. Esse é o sonho de todo o rio, conhecer a imensidão do oceano. Mas às vezes eu sinto medo porque o oceano é desconhecido e é maior, muito maior do que eu, mas é justamente isso que me fascina e me desafia, essa mistura de medo e desafio, me impulsionam... é essa impulsão que me faz buscar, que não me deixa parado, mas se eu quiser chegar lá eu tenho que fazer o meu caminho, com pequenas, mas infinitas ações que a cada hora de cada dia me ajudarão a atravessar montanhas e vales, porque o limite deve ser a imensidão.
MENSAGEM DEDICADA A TODOS QUE TRABALHAM INCESSANTEMENTE PELA PRESERVAÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO DA COMUNIDADE SÃO-LUIZENSE COM O NOSSO MEIO AMBIENTE!

O PRATO D VELHO por SOLANGE DA CRUZ BATTIROLA, publicado no JORNAL MISSIONEIRO NO DIA 30-08-2008, na coluna TRANSCENDER

O PRATO DO VELHO

Em nosso meio, geralmente, há respeito, carinho e atenção pelas pessoas idosas. Assim convivem os avós junto com os filhos casados e os netos.
Com o passar do tempo, os idosos necessitam de mais cuidados, pois o peso dos anos não os mantém tão ágeis como em outros tempos.
Agora, segue uma história, que relata que junto com certa família morava também o velho avô, quase cego e surdo, com os joelhos tremendo. Quando se sentava à mesa para comer, mal conseguia segurar a colher. Derramava sopa na toalha e, quando, afinal, acertava a boca, deixava sempre cair um bocado pelos cantos.
O filho e a nora dele achavam que ele fazia por gosto e ficavam com nojo. Finalmente, acabaram fazendo o velhinho se sentar num canto atrás do fogão. Levavam comida para ele numa tigela de vidro e - o que era pior - nem lhe davam bastante.
O velho olhava para a mesa com os olhos compridos, muitas vezes cheios de lágrimas.
Um dia, suas mãos tremeram tanto que ele deixou a tigela cair no chão e ela se quebrou. A mulher ralhou com ele, que não disse nada, só suspirou. Assim quebraram-se mais tigelas, na terceira vez, escutou-se até insultos.
Depois ela comprou uma gamela de madeira bem baratinha e era aí que ele tinha que comer.
Um dia, quando estavam todos sentados na cozinha, o neto do velho, que era um menino pequeno, estava brincando com uns pedaços de pau.
- O que é que você está fazendo? - perguntou o pai.
O menino com toda sua inocência respondeu:
- Estou fazendo um cocho, para papai e mamãe poderem comer quando eu crescer e eles ficarem velhos.
O marido e a mulher se olharam durante algum tempo e caíram no choro. Depois disso, trouxeram o avô de volta para a mesa. Desde então passaram a comer todos juntos e, mesmo quando o velho derramava alguma coisa, ninguém dizia nada.

A partir daquele dia, os adultos refletiram sobre suas ações e melhoraram suas atitudes com o senhor idoso, tratando-o com mais carinho, paciência, compreensão... pois percebiam-se como exemplos positivos ou negativos ao seu pequenino filho, que sempre lhes ensinava pequenas lições de vida, como esta.

POEMA DE MADRE TERESA DE CALCUTÁ por SOLANGE DA CRUZ BATTIROLA NO JORNAL MISSIONEIRO NA COLUNA TRANSCENDER - dia 23.08.2009

POEMA DE MADRE TERESA DE CALCUTÁ
O dia mais belo? Hoje
A coisa mais fácil? Errar
O maior obstáculo? O medo
O maior erro? O Abandono
A raiz de todos os males? O egoísmo
A distração mais bela? O trabalho
A pior derrota ? O desânimo
Os melhores professores? As crianças
A primeira necessidade? Comunicar-se
O que mais lhe faz feliz? Ser útil aos outros
O maior mistério? A morte
O pior defeito? O mau humor
A pessoa mais perigosa? A mentirosa
O pior sentimento? O rancor
O presente mais belo? O perdão
O mais imprescindível? O lar
A rota mais rápida? O caminho certo
A sensação mais agradável? A paz interior
A proteção efetiva? O sorriso
O melhor remédio? O otimismo
A força mais potente do mundo? A Fé
As pessoas mais necessárias? Os pais
A mais bela de todas as coisas? O amor

PENSE E SORRIA - Publicado no Jornal Misioneiro de 13.09.2008 por Solange da Cruz Battirola, na Coluna Transcender

Pense!
Que coisa mágica é essa que pode alegrar o seu dia e o dia das pessoas à sua volta sem lhe custar nada?
-Um sorriso, apenas uma expressão facial!
No trânsito, nas lojas, nas filas, nas salas de aula, no corredor, em todo e qualquer lugar por onde você andar semeie sorrisos. Você vai se surpreender ao ver um rosto fechado iluminar-se e abrir-se! E mesmo que não haja retribuição, não se importe: o seu sorriso faz bem a você, afinal comunicaste uma mensagem agradável. Só imagine: neste instante DEUS está sorrindo para você!
Há uma forte tendência pessoas a imitar as expressões daqueles que estão ao seu redor. Em outras palavras: rostos tristes provocam mais rostos tristes e rostos sorridentes provocam sorrisos e felicidade! Sorria! O seu sorriso deixa outras pessoas felizes e também faz você feliz!
Mensagem do autor: Ph.D. David Nivem.

***** T*R*A*N*S*C*E*N*D*E*R ***** por SOLANGE DA CRUZ BATTIROLA - JORNAL MISSIONEIRO - 23.02.2008

***TRANSCENDER***
*** Solange* da *Cruz* Battirola***
E-MAIL : solsolbat@bol.com.br
BLOG: http://solbatt.blogspot.com./
http://solbat.nireblog.com/

Nossa proposta é transcender semanalmente, isto mesmo, encontros marcados neste espaço, trocaremos idéias sobre a vida, divagaremos sobre a existência humana, contribuindo com reflexões, mensagens, artigos e assuntos sugeridos pelos leitores. Espero que aproveitem ao máximo e deleitem-se com meus devaneios poéticos, parte do livro Afluências.
TRAVESSIA EXISTENCIAL
Ao romper a aurora,
Com o nascer do sol,
O espetáculo da vida se inicia.
Com a poesia,
Descortina-se mais um dia!
Desnudando a alma, amanhecemos,
Miramos, contemplamos com calma.
Percorremos os próprios labirintos,
Seguimos instintos!
Confidenciamos segredos,
Desmistificamos tabus,
Entre sérios olhares,
Desvendamos mistérios,
Revelando encantos e raras belezas!
Sensações indescritíveis,
Sonhos impossíveis,
Crises, decadências, superações.
Infinitas possibilidades, trabalhos e realizações.
Aventuras, lutas e lutos.
Sonhos e devaneios, inúmeros anseios.
Descobrir-se única e original.
Na existencial travessia.
Trilhamos rotas desconhecidas,
Idas e vindas, subidas e descidas.
Propostas indecentes,
Desejos ardentes,
Equilíbrio entre razão e emoção!
Buscas incessantes,
Questionamentos inquietantes,
Vulcão humano em erupção!
Ideais envoltos na realidade,
Lampejos de solidão,
Imperfeições, fragilidades,
Paixões loucas, desenfreadas!
Turbilhão de desejos,
Medos contidos,
Ausências presentes e
Presenças escondidas!
Quem nega e diz que nunca se sentiu assim
Mente, omite, sofre, disfarça... Enfim
Não viveu sua utopia
Não cumpriu plenamente a travessia.
Tudo a seu tempo e modo;
Sem lamento, sem tormento.
Do seu próprio jeito,
Valorizando cada instante, superando cada defeito,
Cumpra sua profecia.
Assim como o dia é um instante da vida,
O sol é um instante do dia,
A lua é um instante adiante,
Sou a finalidade essencial,
Da minha travessia existencial!

* Solange da Cruz Battirola é educadora da Rede Pública Estadual, atuando com os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental na E.E. Senador Pinheiro Machado, tem Licenciatura em Pedagogia pela URI, especialização em Ensino Religioso, Educação Infantil e Educação Especial.

NÃO ESPERE Artigo publicado na Coluna Transcender, do Jornal Missioneiro, por Solange da Cruz Battirola em 16.08.2008

NÃO ESPERE
Não espere um sorriso, para ser gentil...
Não espere ser amado, para amar...
Não espere ficar sozinho, para reconhecer o valor das pessoas...
Não espere ficar de luto, para reconhecer quem hoje é importante para você...
Não espere o melhor emprego, para começar a trabalhar....
Não espere ter muito, para compartilhar um pouco...
Não espere a queda, para se lembrar do conselho...
Não espere a enfermidade, para reconhecer o quanto a vida é frágil...
Não espere a pessoa perfeita, para então se apaixonar...
Não espere a dor, para acreditar no poder da oração...
Não espere elogios, para acreditar em seu potencial...
Não espere que o outro tome a iniciativa, comece por você...
Não espere ter tempo, para poder servir...
Não espere a mágoa do outro, para pedir perdão...
Não espere a separação, para reconciliar....
Não espere... Demonstre seus sentimentos...
Não espere o dia de amanhã para amar a vida e acreditar em seu sucesso!

Não Tenho TempoArtigo publicado na Coluna Transcender, do Jornal Missioneiro, por Solange da Cruz Battirola em 09.08.2008

Não Tenho Tempo

Sabe meu filho (a),
Até hoje não tive tempo para brincar com você.
Arranjei tempo para tudo,
Menos para ver você crescer.
Nunca joguei dominó, dama, almofada, xadrez, ou batalha naval com você.
Não te levo na praça, nem ao cinema, biblioteca ou museu
Percebo que você me rodeia.
Mas, sabe sou muito importante e não tenho tempo...
Sou muito importante para inúmeros, convites sociais,
Uma série de compromissos inadiáveis...
E largar tudo isso pra sentar no chão com você?
Não, não tenho tempo!

Um dia você veio com o caderno da escola pro meu lado. Não liguei, continuei lendo o jornal.
Afinal, os problemas internacionais são mais sérios que os da minha casa.
Nunca vi seu boletim e nem sei quem é sua professora.
Não sei como está sua leitura e nem vi sua letra,
Também, você entende.....não tenho tempo....
De que adiante saber as mínimas coisas de você se eu tenho outras grandes coisas a fazer.

Puxa, como você cresceu!
Você já passou da minha cintura.
Está alto!
Eu não havia reparado isso.
Aliás , não reparo quase nada, minha vida é corrida.
E quando tenho tempo, prefiro usá-lo lá fora.
E se uso aqui, perco-me calado diante da TV.
Porque a TV é importante e me informa muito...
Sabe, meu filho, a última vez que tive tempo para você, foi numa cama, quando o fizemos!

Sei que você se queixa,
Que você sente falta de alguma palavra,
De uma pergunta minha,
De um corre-corre,
De um chute na bola, um pular corda ou amarelinha,
Mas eu não tenho tempo....

Sei que você sente falta do abraço e do riso,
De andar a pé até a padaria para comprar pão
De andar de bicicleta até o jornaleiro para comprar o jornal...
Mas, sabe há quanto tempo não ando a pé ?
Não tenho tempo....

Mas, você entende, sou uma pessoa importante,
Tenho que dar atenção a muita gente.
Dependo delas.....
Filho (a), você não entende de comércio!
Na realidade sou uma pessoa sem tempo!
Sei que você fica chateado (a), porque as poucas vezes que falamos é monólogo.
Só eu falo.
E noventa e nove por cento é bronca:
Quero silêncio, quero sossego!
E você tem a péssima mania de vir correndo sobre a gente.
Você tem mania de pular nos braços dos outros...

Filho (a) não tenho tempo para abraçá-lo (a),
Não tenho tempo para ficar de papo furado com criança.
Filho (a), o que você entende de computador, comunicação, ou globalização?
Como é que vou parar para conversar com você?

Sabe, meu filho (a), não tenho tempo.
Mas o pior de tudo, o pior de tudo é que...
Se você partisse agora, neste instante,
Eu ficaria com um peso de consciência
Porque não arrumei tempo para brincar com você.
E na outra vida, por certo,
DEUS não terá tempo de me deixar, pelo menos, vê-lo!

Autor:
Neimar de Barros
Extraído do livro: DEUS Negro - 1979
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